ESTRATÉGIA DE IMPLANTAÇÃO

1. Abordagem:

 

Um dos principais desafios apresentado pelos parceiros locais foi, sem dúvida, a estratégia de abordagem com os produtores.  


Em Rio Verde, por exemplo, a abordagem da APDC se deu por meio da implantação da ferramenta “Fazenda em Números”, um benchmarking rural. Jéssica Leite, agrônoma da APDC, conta que antes de explicar o que era a certificação RTRS, manejo sustentável, regras, dados, números etc, a associação apresentou os dados de grandes e médias fazendas e presenteou os produtores. Com isso, eles puderam fazer um comparativo: como sua propriedade está em relação a outras da região. “Falávamos da certificação RTRS, mas os produtores ficavam com o pé atrás, afinal, precisamos entrar na propriedade e ter acesso a informações sigilosas. Somente depois do Fazenda em Números, conseguimos com que os produtores entendessem a importância do programa SFTF: o porquê da adequação, da melhoria de gestão, da certificação”, conta. 


2. Conscientização + capacitação:

 

O trabalho é de formiguinha. O SFTF e a certificação RTRS apresentam uma quebra de paradigma para o produtor, que sempre geriu sua propriedade de uma determinada maneira. Com as capacitações e adequações apontadas via diagnóstico elaborado pela Aliança da Terra, essa forma mudou, resultando em mais governança e maior produtividade”, analisa Rafael Pereira, da Amaggi. 

Passada a fase de adesão, segue um novo desafio: como mudar a cultura dos produtores em áreas historicamente consolidadas, sobretudo no que diz respeito à legislação ambiental?

Para isso, os parceiros locais focaram as capacitações na melhoria da gestão das propriedades, além da criação de planos de gestão ambiental e de resíduos.  

Paralelamente, o projeto com a APDC desenvolveu uma área de controle biológico no município Rio Verde, e implantou um projeto piloto de controle de tráfego nas fazendas, a fim de minimizar a compactação do solo e, consequentemente, o uso de defensivos e fertilizantes. “Essa é uma tecnologia amplamente usada fora do Brasil, em lavouras de alta tecnologia”, explica Jéssica Leite, da APDC

3. Certificação:

 

O processo para se atingir o nível de certificação RTRS, com seus critérios de manejo agrícola, questões ambientais e sociais, serviram como ferramenta para a implantação das boas práticas. Apesar da maioria dos produtores não saber no que consistia a certificação, os benefícios indiretos trazidos por meio desse processo, entre eles, a melhor gestão da propriedade e consequente aumento do controle da produção, incentivaram as adequações nas fazendas.


Ainda é um trabalho de convencimento. Ainda existe resistência por parte dos produtores. Mesmo assim, a Amaggi teve um aumento de quase 290% de venda desde que começou a certificar sua produção. Precisamos fomentar cada vez mais esse tipo de mercado. Precisa ter diferença de valor e retorno financeiro para os produtores aderirem. Por isso, precisamos mobilizar toda a cadeia. Se tivermos um mercado aquecido e disposto a pagar, não haverá um produtor que não queira certificar sua produção. O SFTF deu o primeiro passo, agora precisamos continuar”, finaliza Rafael Pereira.  

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