SOLIDARIDAD APRESENTA RESULTADOS DO

PROGRAMA SOY FAST TRACK FUND:

2,2 TONELADAS DE SOJA CERTIFICADAS,

EM MAIS DE 2,1 MILHÕES DE HECTARES SOB MANEJO SUSTENTÁVEL

Será possível alimentar, vestir, transportar 9 bilhões de habitantes, com qualidade de vida, boas condições de trabalho e proteção dos recursos naturais? Para a Solidaridad, sim, é possível!

No último dia 18/08, a organização internacional tornou público os resultados de quatro anos do projeto Fast Track Fund (SFTF) que, em parceria com o IDH - Iniciativa Holandesa de Comércio Sustentável (Initiatief Duurzame Handel), reuniu mais de mais de 931 produtores no Brasil, em 21 projetos de produção de soja sustentável.

O SFTF mostrou que é possível promover a sustentabilidade no campo, seja desde o pequeno produtor até os maiores, todos podem se orientar por esses princípios. Por meio de práticas agrícolas e compromissos que assegurem a produção de alimentos através do uso inteligente e sustentável do solo, dos insumos, da natureza, e melhorando a qualidade de vida e condições de trabalho dos produtores e do entorno das fazendas”, afirma Harry van der Vliet, programme manager da Solidaridad para soja.

Nienke Sleurink, Program Officer de Soja e Madeira do IDH, conta que várias empresas e organizações holandesas têm comprado soja certificada pela RTRS. Para ela, a produção sustentável é uma tendência no mercado internacional, e felicita o Brasil por ter sido o primeiro país a certificar a soja. 

Temos em nosso escritório na Holanda, uma saca de soja da Amaggi – a primeira no mundo a ganhar certificação RTRS. Com os resultados do programa, podemos perceber também que, do ponto de vista do produtor, existem vários motivos para se trabalhar com produção sustentável: valor agregado, ferramentas para melhor manejo da soja. Podem ter certeza que, na Europa, continuaremos o trabalho de engajamento da indústria e importadores para que a demanda por soja sustentável continue, cresça e seja um compromisso.”

SFTF BRASIL: PRINCIPAIS NÚMEROS

Período: 2011 – 2015

Número de projetos: 21

Regiões atendidas: MT, Matopiba, PR, MG, Amazônia Legal

Subsídio IDH: R$ 15.266.300

Investimentos dos produtores:
R$ 22.838.600 (melhorias nas fazendas)

Soja certificada: 2,2 milhões toneladas

Soja sob manejo sustentável: 2,1 milhões de hectares

Hectares certificados: 299.949 ha

Número de produtores: 931

Número de fazendas: 1014

O futuro da soja sustentável

O evento ainda contou com o painel de debate “O futuro da soja sustentável”, com a presença dos debatedores Fábio Trigueirinho, secretário geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carminha Missio, presidente do Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães (BA), e Giovana Baggio, coordenadora de agricultura da The Nature Conservancy (TNC). 

Para Trigueirinho, nos últimos dez o Brasil avançou no que diz respeito às políticas públicas ambientais e agrícolas, e ainda implementou uma política de transparência de dados públicos. “O que temos visto é uma melhoria de governança, com uma política clara, firme e abrangente, Da moratória da soja ao novo código florestal, o país conseguiu implementar um sistema de detecção de desmatamentos e queimadas em tempo real (via satélite), coordenar a fiscalização com o apoio da guarda nacional e polícia federal, além de criar o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Programa de Regularização Ambiental (PRA), o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), demarcação de terras indígenas e novas Unidades de Conservação”, aponta.

Carminha sugere, que apesar das incontáveis melhorias, com a implementação do programa SFTF, os produtores ainda enfrentam diversos desafios, sobretudo no que diz respeito a infraestrutura de estradas, portos, ferrovia, acesso à energia elétrica e, acima de tudo, a burocracia para o cumprimento das leis regulatórias. “Precisamos articular vários setores – mídia, lei, governos, produtores – para que possamos ultrapassar tais dificuldade. Trazer e dar acesso a estudos aprofundados sobre a questão jurídica, fazer seminários com os produtores e instituições, dentre outras iniciativas”, explica.

Giovanna Baggio completa: “Para que um programa como o SFTF tenha continuidade e seja duradouro por si só, precisamos mostrar que não compensa desmatar. Que a sustentabilidade é uma tendência do mercado. E que a imagem de mudança climática não é mais aquela do uso polar. Já estamos nós sentindo a falta de água, por exemplo. Como conseguiremos nos adaptar a essa realidade, que não tem mais volta?” Ainda segundo Giovana, o grande desafio para os próximos cinco anos é que os órgãos públicos tenham a capacidade de validar o CAR de forma eficiente e colocar o novo código florestal em prática. “E nós, enquanto ONGs, indústrias, governos precisamos apoiar e ajudar os produtores com estes processos, já que muitas vezes eles não cumprem as leis por burocracia, falta de conhecimento e, até mesmo clareza, em relação à legislação ambiental”, finaliza.

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